Fragas...
O
que nos dizem as fragas…que embelezam a natureza! Cobertas de musgo ou de sargaço viçoso. Que nos abrigam do frio…do sol, da chuva e sempre que
procuramos um abrigo é na fraga que nos resguardamos. São salas sem mesa… sem era.
Cultos sagrados, de recôndito sentido, onde a fé se propaga, e a dor se apaga,
nesta pedra de “ouro-gemido”. Que suportam o pranto e ouvem a dor…são locais de
encanto são refúgios de amor. São casas naturais sem portas nem trancas… são
intemporais são memórias, lembranças. Profícuo acreditar na memória humana…são
pedestais, abrigos dos animais, são amor e uma cabana. São protecção sentida de
aconchego e sedução, são pedras da vida…que no maior sossego, são amor e
perdição. São resguardos de ansiedade…que a própria sociedade demora em
aceitar. São jóias de riqueza aberta… é a dor inquieta para o nosso abrigar!
São castelos no horizonte onde se iniciam as fontes que saciam a nossa sede,
são chão, são parede, onde nos abrigamos do frio. São locais de fé. Que
preenchem o vazio de quem sofre e ali superam as vicissitudes da vida, quantas
vezes indefinida, que nos trazem à lembrança outros tempos, “nós crianças” sem
medos trepávamos os rochedos, onde os pássaros gritam e são felizes. Esvoaçam
nos montes e se avistam de longe, em ecos que flamejam, onde os casais se
beijam e se entregam…

Fernando Silva
Nota: A foto é do Jorge Delfim e foi retirada do google.